sábado , 13 julho 2024
Home / Artigos jurídicos / Uma segunda chance para a mineração na América Latina: elementos para reinventar sua história. Pontuações sobre um estudo da LLYC

Uma segunda chance para a mineração na América Latina: elementos para reinventar sua história. Pontuações sobre um estudo da LLYC

Por Enio Fonseca 

O Setor de mineração tem reconhecida importância na cadeia produtiva nacional e internacional. Bens minerais estão presentes praticamente em tudo no nosso dia a dia. Na água que bebemos,

 

O Setor de mineração tem reconhecida importância na cadeia produtiva nacional e internacional. Bens minerais estão presentes praticamente em tudo no nosso dia a dia. Na água que bebemos, nos fertilizantes que garantem a produção de alimentos, na construção civil, nos transportes, na geração, transmissão e distribuição de energia, em produtos diversos, além de gerar, somente no Brasil, mais de 200 mil empregos diretos e 2 milhões indiretos.

No Brasil, a percepção do setor pela sociedade vem sendo acompanhada de perto por uma iniciativa intitulada “Reputação do Setor de Mineração no Brasil- Percepções e expectativas da Sociedade e de stakeholders estratégicos, realizada pelo IBRAM- Instituto Brasileiro de Mineração, junto com a empresa especializada RepTrak TEAM, cujos dados mais recentes foram apresentados à sociedade no mês de junho de 2023, e que pode ser acessado clicando aqui.

Quanto à percepção do setor pelos principais segmentos temos, de acordo com o estudo do IBRAM, dentre inúmeras outras conclusões:

Junto à Imprensa: fraca/mediana; junto às Entidades de Classe: mediana/forte; junto ao Poder Público: mediana/forte; junto às Lideranças Comunitárias: fraca/mediana; junto aos Fornecedores: mediana; junto às ONGs: mediana; junto aos Empregados: forte.

Conhecer a percepção dos diferentes stakeholders é essencial na busca de um relacionamento transparente, no entendimento dos desejos da sociedade, e na adoção das melhores práticas de sustentabilidade definidas nos conceitos ESG e nas ODS 2030 da ONU

A LLYC é uma empresa global de consultoria de comunicação, marketing digital e assuntos públicos que ajuda seus clientes a tomar decisões estratégicas de forma proativa, com criatividade, inovação e experiência necessárias. No atual contexto disruptivo e incerto, contribuem para que os seus clientes alcancem as suas metas de negócio a curto prazo e para estabelecerem uma rota para defender a sua licença social para operar e aumentar o seu prestígio. Eles realizam trabalhos para empresas individualmente e também para segmentos econômicos, e podem ser visualizados pelo site clicando aqui.

O estudo “Uma segunda chance para a mineração na América Latina: elementos para reinventar sua história” foi elaborado pela empresa LLYC, disponibilizado em setembro de 2023, pode ser encontrado no site clicando aqui.

O objetivo deste artigo é auxiliar na divulgação do artigo elaborado por esta empresa, que tem vários trechos aqui transcritos ipsis litteris, devidamente creditados.

A apresentação deste documento foi feita em Belo Horizonte, no dia 05/10, numa iniciativa conjunta das empresas parceiras, LLYC e Ferreira Rocha, clique aqui para acessar.

Reunião apresentação estudo em BH. Com Delfim Rocha CEO FR e Thyago Matias Diretor LLYC

Reunião apresentação estudo em BH. Com Delfim Rocha CEO FR e Thyago Matias Diretor LLYC

De acordo com o documento:

“Não é segredo que o setor mineiro está sob constante escrutínio. É alvo de críticas e de ataques que parecem aprofundar uma ferida histórica marcada pelos erros do passado, pelas circunstâncias e pela desinformação.

Esta atividade, que no passado era interpretada como sinónimo de riqueza, prosperidade e desenvolvimento tornou-se, nas conversas da sociedade, à medida que os seus impactos se tornaram mais evidentes, numa antagonia. Isto coincidiu com o crescimento das novas formas de comunicação, as quais deram voz a um ativismo de oposição que assumiu a função de transmitir um lado da história, principalmente negativo.

Por seu lado, o setor aprendeu, reparou e corrigiu. E atualmente centra-se em desenvolver os seus projetos numa perspetiva tecnicamente correta, contando, através de uma comunicação com um perfil tradicionalmente discreto, os resultados tangíveis do desenvolvimento que promovem. Isto é expresso através dos valores de investimento nos países através de regalias e evidenciando que as suas práticas são sustentáveis. No entanto, são mensagens que não parecem estar a criar uma ligação eficaz com a opinião pública”.

A motivação para a realização deste trabalho está amparada na seguinte análise feita pela LLYC:
“Não é segredo que o setor de mineração está sob constante escrutínio. Ele é alvo de críticas e ataques que parecem aprofundar uma ferida histórica marcada por erros do passado, pelas circunstâncias e pela desinformação.

Essa atividade, antes interpretada como sinônimo de riqueza, prosperidade e desenvolvimento, foi se tornando antagonista nas conversas da sociedade à medida que seus impactos se tornaram mais evidentes.

Isso coincidiu com o auge das novas formas de comunicação, que deram voz a um ativismo de oposição que se encarregou de transmitir um lado fundamentalmente negativo da história.

Por sua vez, o setor aprendeu, fez reparações e correções. E hoje se concentra no desenvolvimento de seus projetos a partir de uma perspectiva correta tecnicamente, apresentando, por meio de uma comunicação tradicionalmente discreta, os resultados tangíveis do desenvolvimento que promovem. Isso se expressa em números de investimento nos países por meio de royalties e evidências de que suas práticas são sustentáveis.

No entanto, aparentemente essas mensagens não têm uma conexão efetiva com a opinião pública.

Na LLYC acreditamos que chegou o momento de dar a volta a esta história e equilibrar as perceções de um setor que não só tem nas suas mãos uma alternativa de desenvolvimento para milhões de pessoas na região, como também uma responsabilidade transcendental face ao grande desafio global da transição energética. Por conseguinte, necessita de uma segunda oportunidade para se projetar e se ligar à sociedade da forma correta..

Com este âmbito de pensamento, resultado de mais de duas décadas de trabalho em equipa com o setor mineiro em diferentes latitudes, especialmente na região LATAM, quisemos fazer uma análise de big data sobre o debate no setor que nos permitisse dimensionar, a partir das expressões espontâneas das pessoas e da abordagem dos meios de comunicação social, qual é o estado da arte em relação à perceção da mineração na sociedade. O objetivo: definir um roteiro que facilite a reorientação da história do setor de forma a obter o reconhecimento que o setor merece numa nova oportunidade de entendimento.”

A partir desta reflexão, resultado de mais de duas décadas de trabalho conjunto com o setor de mineração em diferentes locais, mas especialmente na América Latina, que a empresa resolveu fazer uma análise de big data sobre o que tem sido falado sobre esse setor na conversa digital, uma análise que permitisse medir, a partir das expressões espontâneas das pessoas e da abordagem dos meios de comunicação, qual é o estado da arte da percepção da mineração na sociedade.

O objetivo do trabalho foi criar um roteiro para facilitar a reorientação do setor e de sua história para obter o reconhecimento que merece em uma nova oportunidade de entendimento.

Esse exercício identificou , ao longo de um ano, (15/08/2022 – 15/08/2023) em 10 países da América Latina, mais de 1,4 milhão de menções totais ao setor da mineração em geral, que foram categorizadas nos 6 pontos a seguir:

• A mineração ilegal lidera a conversa: 50% das menções ao setor referem-se a esse fenômeno criminoso.

• Há dois protagonistas que contribuem involuntariamente para uma visão negativa: os governos e o próprio setor de mineração
aprofundam imaginários que não contribuem para um posicionamento correto do setor.

• O meio ambiente como uma bandeira política: o impacto da mineração é um argumento eleitoral e uma cruzada na gestão dos governos locais e nacionais.

• O setor se comunica em círculos fechados: pessoas falando sempre para as mesmas pessoas; o impacto do setor na conversa é muito pequeno e principalmente negativo.

• Circunstâncias específicas da América Latina que aprofundam os estigmas: corrupção, violência e tráfico de drogas, entre outros problemas específicos da região, estão associados ao setor de mineração devido à ilegalidade de algumas atividades.

• Mineração sustentável, um antídoto insuficiente: com uma participação de apenas 2% no total da conversa, esse território de comunicação não obteve muita relevância na tentativa de equilibrar uma conversa negativa associada a um grande passivo reputacional.Fonte LLYC

Fonte LLYC

O estudo faz a seguinte avaliação:
– Quanto à mineração ilegal:
Talvez não seja surpreendente que os principais tópicos da conversa sobre a mineração carreguem um sentimento negativo. Mas há uma novidade que chama a atenção: a presença de mineração ilegal como a principal questão relacionada à atividade.

Com uma participação de 50%, esse conceito foi mencionado mais de 732 mil vezes no último ano. Isso reflete como essa circunstância penetrou na consciência pública e gerou ampla cobertura, e como ela está profundamente relacionada ao setor em geral, o que aumenta a dificuldade de projetar uma imagem correta do setor.

As questões associadas a essa prática extrapolam o exercício de atividades fora dos limites da lei e estão profundamente relacionadas a outros atos criminosos, como violência, tráfico de drogas e violação dos direitos humanos, entre outros.

Embora as razões disso sejam diversas, há uma que está diretamente relacionada ao efeito produzido pelo encerramento de projetos de mineração como resultado de uma pressão ativista que está se tornando cada vez mais relevante na América Latina. Trata-se da ocupação física, por parte de grupos criminosos, dos campos de mineração deixados à deriva, mas nos quais já foram realizados e divulgados estudos de viabilidade do mineral disponível.

Isso dá lugar a uma extração indiscriminada que deixa como rastro um concreto passivo ambiental e social. Um exemplo disso está no Equador, onde, desde o fechamento do projeto de mineração Río Blanco, a área do projeto tem sido alvo de grupos clandestinos que intimidam a população e causam danos materiais e ambientais.

Em um país onde, segundo a Agência de Regulação e Controle de Energia e Recursos Naturais Não Renováveis, a mineração ilegal está presente em 17 das 24 províncias, aos olhos da opinião pública – que muitas vezes possui poucas informações –, todos esses efeitos da mineração ilegal são atribuídos à mineração como setor, o que se reflete no fato de que 22% das menções à extração ilegal vêm do Equador.

Quanto ao ponto “Há dois protagonistas que sem querer contribuem para uma visão negativa:

“Na América Latina, o alcance do ativismo contra a mineração tem aumentado significativamente. Soma- se a isso a instabilidade jurídica que o setor enfrenta em vários países. Ambos os fatores ameaçam a viabilidade de seus projetos. As empresas se sentem constantemente em desvantagem pela forma como são tratadas pela sociedade, pelos meios de comunicação e pelos governos. Isso se reflete na conversa. Suas contribuições para as comunidades e os Estados não são reconhecidas, mesmo nas etapas de exploração e de retorno zero sobre o investimento.

Diante dessa sensação de desigualdade, o setor identificou a questão da ilegalidade e começou a evidenciar o risco que ela representa, integrando em seu próprio discurso o conceito de mineração ilegal, o qual é frequentemente cunhado pelo setor em diferentes espaços da mídia e de relacionamento.

Isso é positivo do ponto de vista argumentativo, pois é justamente a mineração formal a alternativa mais eficiente para coibir o crime e conter os efeitos sociais e ambientais gerados por essas práticas ilegais. Mas também contribuiu para aumentar a relevância da ilegalidade na conversa associada ao setor, o que, diante de um público geral e de forma descontextualizada, gera confusão, fazendo com que os efeitos negativos dessa prática possam ser atribuídos a todo o setor formal.

Além disso, alguns governos da região, como o da Colômbia ou do Equador, adotaram a luta contra a mineração ilegal como parte de suas agendas, aumentando a visibilidade dessa atividade e do próprio termo. Isso se reflete na conversa, na qual as associações de palavras relacionadas à mineração ilegal são, em grande parte, promovidas pelo Estado. Os termos GOVERNO e ESTADO somam quase 34 mil menções associadas.

No Peru, por exemplo, 29% das menções que relacionam a mineração à ilegalidade trazem uma associação direta ao governo, do ponto de vista dos principais obstáculos que essa prática representa para a liderança de Dina Boluarte”.

Quanto à agenda ambiental como bandeira política:
Na conversa sobre o setor de mineração como um todo, o impacto negativo da atividade para o meio ambiente está em segundo lugar, com 23% das menções (336 mil).

Para analisar esse ponto, é preciso partir do reconhecimento de que, no passado, o setor cometeu erros, muitas vezes não intencionais, na gestão ambiental. Esses erros, como demonstra a conversa, ainda fazem parte do imaginário coletivo.

A mineração moderna tem feito esforços técnicos para aprender com esses erros, para corrigi-los e garantir que a atividade seja realizada dentro de marcos regulatórios de proteção ambiental e tem trabalhado em estratégias de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) que atendam às necessidades básicas das comunidades na área de influência direta.

Mas tudo indica que isso não tem sido suficiente para combater um estigma alimentado por uma agenda ativista focada em não reconhecer essa evolução para práticas responsáveis.

É um ativismo ferrenho, que se fecha diante da possibilidade de diálogo, que não propõe alternativas e se concentra em perseguir projeto por projeto,
especialmente na América Latina, buscando inviabilizá-los, mobilizando um discurso de proteção ambiental, muitas vezes apoiado em agendas políticas locais centradas na luta contra a mineração como uma bandeira eleitoral, o que fortalece seu poder de amplificação.

Além disso, estão envolvidas circunstâncias de grande impacto global. Um exemplo é o desmatamento da Amazônia, que ocupa um lugar preponderante na conversa impulsionada pelos meios de comunicação, que realizam coberturas aéreas mostrando o estado alarmante da área, e pelos governos, especialmente os da Colômbia e do Brasil (tanto na fase de campanha quanto no exercício do cargo), que incluem uma parte da mineração, principalmente a ilegal, entre as causas dessa emergência ambiental”.

Quanto ao tema “O setor se comunica em círculos fechados”:

“A participação do setor nesse grande universo da conversa digital ocupa o terceiro lugar no total geral de menções (12%), com pouco mais de 175 mil. Essas alternam entre a visão negativa expressa pela opinião geral e a visão positiva impulsionada pelo próprio setor.

Do lado negativo, as empresas de mineração de países latino-americanos que fazem alianças com a China e a Rússia para projetos de investimento e extração mineral são as mais criticadas, principalmente nos meios de comunicação.

A ética dessas empresas é questionada por meio de acusações relacionadas a questões jurídicas complexas, incluindo denúncias de omissão de interesse, violações de direitos e de protocolos legais para indígenas e atividades de mineração ilegal.

As menções positivas estão presentes no território da sustentabilidade, que representa 2% do total da conversa. Dentro desse subtema, apenas 5% das menções têm uma associação de sentimento positivo, e elas partem principalmente do próprio setor, por meio da comunicação corporativa sobre resultados sociais e planos de investimento, e são potencializadas por associações comerciais por meio de eventos do setor.

Isso reflete uma realidade aparente: as mensagens positivas focadas em elementos-chave como a sustentabilidade estão sendo debatidas e replicadas dentro do mesmo círculo de influência, sem gerar impactos relevantes ou extrapolar para a sociedade.

Dentro desse pequeno subgrupo de menções à mineração sustentável, a maioria deriva justamente de eventos setoriais (21,7%), sendo o Chile o país onde mais se fala sobre esse assunto e onde se destaca o crescente compromisso do setor com a mineração responsável, demonstrado pelo número de reuniões e congressos realizados com foco nesse tema, como uma plataforma na qual as partes interessadas podem debatê-lo.

No entanto, o problema parece ser o fato de que são pessoas falando sempre para as mesmas pessoas.

Duas outras questões que giram em torno de discussões setoriais sobre a sustentabilidade são os desafios legais (14,6%) e o impacto econômico da atividade (13,9% das menções), que predominam principalmente na Argentina.

Nessas discussões, coloca-se a urgência da implementação de códigos e regulamentos de atualizados, destacando a importância de revisões periódicas para garantir a modernização do setor.

Também estão presentes nessa conversa a existência de fundos de investimento, subsídios e apoio financeiro destinados a projetos de mineração sustentável, com foco no financiamento de iniciativas que promovam a mineração responsável, e a importância de apoiar a mineração sustentável como parte da estratégia para minimizar os impactos ambientais e respeitar os compromissos de redução de emissões.

As mensagens positivas focadas em elementos-chave como a sustentabilidade estão sendo debatidas e replicadas dentro do mesmo círculo de influência, sem gerar impactos relevantes ou extrapolar para a sociedade”

Quanto às circunstâncias específicas da América Latina que aprofundam os estigmas
“Embora as questões relacionadas diretamente ao setor e suas operações liderem a conversa, uma parcela significativa da conversa refere-se a questões recorrentes na esfera política e social da América Latina.

Uma delas é a corrupção. Essa questão aparece em quarto lugar nos assuntos relacionados à mineração, com 9%, das menções, e está voltada principalmente para a relação de funcionários do governo e instituições públicas com membros de organizações ilícitas envolvidos na extração ilegal.

No entanto, também se aborda a relação de políticos com empresários ligados ao setor e com as forças de oposição, embora em menor grau, apontando conflitos de interesse e a presença de práticas antiéticas referentes à posição dos governos estaduais e municipais a favor ou contra os projetos de mineração, como a distribuição de auxílios para ter influência em questões relacionadas à autorização de projetos e a divulgação de mensagens que influenciam as comunidades a tomar uma posição.

Isso corrói a confiança da opinião pública, que tende a pegar casos particulares e universalizá-los, construindo um imaginário que prejudica o setor.

Um dado importante que cabe mencionar é que, na conversa, a instituição mais relacionada à corrupção é a polícia, com mais de 10 mil menções. É muito comum que os diversos meios de comunicação da região abordem constantemente em suas pautas alguns vínculos das forças policiais com criminosos e políticos corruptos ou a prisão de agentes envolvidos em atividades ilegais.

Por outro lado, as mobilizações sociais que ocorreram na região nos últimos anos também aparecem como um tema central, representando até 3% da conversa geral sobre a mineração. Questões como a já mencionada corrupção, a falta de institucionalidade
e o risco para o meio ambiente são os principais catalisadores dos protestos latino-americanos em relação ao setor.

O tratamento dado pela mídia a essa cobertura destaca o fato de que os protestos estão resultando em muitas mortes e ferimentos. Vários aspectos da questão convergem aqui. De um lado, estão as mobilizações de ativistas contra o setor; do outro, estão aquelas que pedem medidas urgentes contra a mineração ilegal e mobilizações gerais contra os governos nacionais, considerados culpados pela violência gerada por grupos de tráfico de drogas e mineradoras ilegais.

Nesse sentido, uma questão a ser observada é a relevância dos direitos humanos (33% da conversa relacionada à extração ilícita), que se manifesta nos protestos e na cobertura realizada por determinados setores.

Especificamente, as menções referem-se a aspectos como o impacto na saúde das pessoas devido ao uso de elementos como o mercúrio, que também têm impacto nas fontes de água, e o tráfico de pessoas.

O país mais ativo nessa questão é a Colômbia, seguida pela Argentina e pelo Peru. E o principal canal de conversa são as notícias, pois há muito conteúdo sendo produzido por organizações vinculadas aos direitos humanos, com uma forte presença na região.

Por outro lado, as mobilizações sociais que ocorreram na região nos últimos anos também aparecem como um tema central, representando até 3% da conversa geral sobre a mineração”

Sobre a mineração sustentável ser um antídoto insuficiente:

“O setor da mineração passou por muitas etapas em seu posicionamento perante a sociedade, mas talvez um dos mais recentes tenha sido englobar em um único termo o impacto positivo de suas atividades e o cuidado com que são realizadas, a chamada mineração sustentável.

No entanto, apesar dos esforços crescentes das empresas para continuar se comunicando a partir dessa vertical, seu impacto na conversa é baixo (2%) em comparação com o grande universo de menções sobre o setor.

Embora a palavra de maior destaque seja desenvolvimento (mais de 2 mil menções), entendida como colaboração e cooperação entre diferentes atores para encontrar soluções e promover práticas de mineração responsáveis, o sentimento em torno da mineração sustentável ainda é majoritariamente neutro (74%).

E ele se baseia nas informações promovidas principalmente pelo setor por meio da divulgação de seus planos de manejo ambiental e trabalho com as comunidades, comunicações essas que, aparentemente, não estão alcançando o público fora de seu próprio círculo.

Um exemplo disso é o Brasil, onde a neutralidade é praticamente total e não há nenhum sentimento positivo em relação a esse conceito. Isso está correlacionado, em primeiro lugar, com uma participação muito baixa do setor em geral na conversa e com o fato de que o impacto da atividade, especialmente a ilegal, está relacionado a um assunto geral, como o desmatamento da Amazônia.

Em contrapartida, embora ainda não seja algo definidor, o Chile é o país com mais menções mais favoráveis ao termo, e isso tem a ver com ser uma nação com um setor de mineração mais maduro e cuja importância econômica é reconhecida.

Liderando o sentimento negativo (14%) estão países como o Panamá e a Guatemala, o que se deve ao ceticismo em relação à noção de “mineração sustentável”.
Esse ceticismo é promovido pelo ativismo contrário à mineração, que, embora venha principalmente do vizinho El Salvador, permeou o imaginário coletivo, punindo a atividade e colocando em risco seu desenvolvimento.

É possível que a limitação do posicionamento do conceito de “mineração sustentável” esteja relacionada ao conteúdo veiculado, que parte principalmente de eventos setoriais na área (21,7% das menções).

Embora essas comunicações relatem boas práticas, conforme mencionado acima, elas se limitam a discussões que não extrapolam a esfera corporativa, o círculo do próprio setor. A Argentina e o Peru lideram essa prática.

Outra característica promovida pelo setor sobre a sustentabilidade é a ênfase no impacto econômico da mineração (13,9% das menções), que, embora apresente dados sobre a contribuição aos Estado,a geração de empregos e até mesmo a redução da pobreza, mantém o debate em um nível técnico que não se conecta com o cidadão comum, que ainda tem dificuldade de entender a relevância da atividade no seu cotidiano. A Argentina lidera esse subtema, enquanto o Brasil e o Panamá são os países que menos participam dessa conversa.

No entanto, os esforços para tratar de outras questões de interesse das comunidades e desmistificar muitas das ideias que persistem sobre o setor começam a ser notados. Nesse sentido, começam a surgir, mesmo que de forma incipiente, questões como gestão de resíduos (5,1% das menções), com foco no uso de rejeitos, e recuperação ambiental (1,4% das menções), com foco na mitigação de impactos, na redução da pegada de carbono e na implementação de tecnologias, embora a abordagem ainda seja muito técnica e pouco compreensível.

Os esforços para tratar de outras questões de interesse das comunidades e
desmistificar muitas das ideias que persistem sobre o setor começam a ser notados”

Gráfico de sentimentos sobre a mineração sustentável
Fonte LLYC

Considerações finais do Estudo:
Diante deste robusto levantamento feito pela empresa LLYC, com mais de 1,4 milhões de menções percebidas nas redes sociais, durante um ano de levantamento, temos ao final, algumas conclusões e recomendações feitas no estudo, onde se pontuam elementos para uma projeção maior e com mais valor para este setor
“A boa notícia é que ainda é possível reorientar a história para construir uma narrativa que amplifique as ações do setor e que conceda a ele o verdadeiro reconhecimento da sociedade. O segredo está em corrigir uma tendência passiva na comunicação e adotar a proatividade para comunicar ao mundo qual é a verdadeira relevância do setor”.

Para isto são necessários a implementação das seguintes iniciativas:

Evoluir na comunicação

‘O setor já reconheceu seus erros e investiu em repará- los e tornar a mineração uma das atividades econômicas mais modernas e sustentáveis. No entanto, ainda há uma sensação de que todos esses esforços não estão gerando retorno e que o setor continua sob os holofotes das autoridades, da mídia e das comunidades, aumentando o sentimento de injustiça entre as empresas de mineração diante da posição muito mais branda que os mesmos atores sociais têm em relação à extração ilegal.

Embora esse seja um sentimento válido e bem fundamentado, o setor não pode permanecer nessa dinâmica de “só eu estou sendo julgado, eles não”, já que seu território de conversação está sendo compartilhado com uma atividade que é o avesso da sua, e que não deveria ser chamada de mineração como já dissemos antes.

Pelo contrário, é hora do setor se atualizar e, usando as importantes ferramentas à sua disposição, dar o salto para competir em pé de igualdade com outros setores tradicionalmente“mais próximos” do cidadão comum.

Como já foi dito várias vezes: a mineração é um dos setores básicos que permite que outros forneçam às pessoas bens e serviços essenciais para a vida humana”.

Sair do clichê da sustentabilidade

“A sustentabilidade como um atributo não tem sido um antídoto para o volume de reações e para o sentimento negativo em relação ao setor. Mas isso não é algo exclusivo da mineração, pois na última década o termo foi cunhado repetidamente, sendo incorporado a todas as boas práticas empresariais em qualquer setor, perdendo legitimidade. E isso se intensifica em um setor altamente estigmatizado.

“É hora de evoluir a forma de chamar a atenção para as ações ambientais, sociais e econômicas das empresas de mineração, buscando territórios de comunicação que gerem identificação dos públicos de interesse com o propósito do setor.

A mineração deve ser sustentável (isso já está dado), mas precisa se expressar como responsável, moderna, consciente e inovadora, aceitando que, assim como todas as atividades, ela gera impactos, e por isso precisa ser também a melhor aliada da sociedade para viabilizar uma transformação energética vital, baseada na gestão correta dos recursos naturais”.

Humanizar o discurso e colocá-lolo em prática

“De nada adianta que, no nível corporativo, os sentimentos das comunidades e as características do ambiente sociopolítico sejam compreendidos, que se crie um storytelling diferenciado que comece a separar os estigmas da ilegalidade se o discurso não for transmitido às pessoas.

Em nossa época, a confiança nas marcas está sendo cada vez mais questionada e são as próprias pessoas que gerenciam as percepções, porque, entre outros motivos, emocionalmente nós precisamos de um vínculo de empatia.

A melhor maneira de combater os imaginários negativos sobre o setor e, especialmente, o ativismo contra a mineração, é por meio de um ativismo corporativo estruturado que seja conduzido pelos líderes da organização e replicado por seus funcionários.

Não se trata de gerar conflito, mas de começar a equilibrar a conversa, até agora capitalizada pela oposição, por meio de intervenções claras e diretas, que valorizem todo o storytelling sem rodeios, falando a mesma língua que as pessoas, demonstrando de forma reiterada a contribuição real (a curto e longo prazo) do projeto e do setor para suas vidas e para as futuras gerações

Bater de porta em porta, inclusive na dos detratores

“A diplomacia corporativa exige paciência e perseverança. Ainda mais quando um setor tem passivos reputacionais que fecham portas, muitas vezes sem argumentos. O segredo para o gerenciamento de relacionamentos, além da transparência, é justamente a capacidade de não desistir e de buscar incessantemente espaços de encontro e, principalmente, pontos de convergência que permitam criar um diálogo com atores da oposição ou com figuras e entidades reguladoras complexas.

Reforçando, argumentos como ser a alternativa que pode impedir a ilegalidade, juntamente com a capacidade do setor privado de resolver problemas sociais complexos de forma eficiente, em colaboração com os Estados, são elementos fundamentais a serem valorizados.

Fazer parte da história de seus vizinhos

“Para permear a consciência coletiva das comunidades com mensagens a favor de um projeto de mineração, não basta transmitir informações uma única vez,
em um único canal. As empresas devem não apenas adaptar sua mensagem à linguagem de seus públicos, mas também transmiti-la de forma sistemática por meio de vários canais para que a marca se torne parte da vida cotidiana das pessoas.

Um ecossistema amplo deve considerar as formas de comunicação mais utilizadas pela população, desde as redes sociais e plataformas tecnológicas, como
o Whatsapp, até as mais clássicas da comunicação comunitária que ainda podem ser úteis para o setor, como o rádio, o carro de som, os cartazes de divulgação comunitária, os jornais locais, e todas as outras que possam vincular a empresa a causas que se conectam com a comunidade, como o esporte, o empreendedorismo e a agricultura, entre muitas outras alternativas.

O segredo é identificar a jornada das comunidades e penetrar nela de forma orgânica”.

Sair do círculo de confiança

“Como vimos nessa análise, os espaços de conversa em que o setor geralmente expressa sua proposta de valor estão limitados ao mesmo círculo setorial. Ou seja, são pessoas falando sempre para as mesmas pessoas, o que impede que a mensagem alcance outras áreas que gerem maior amplificação e impacto.

Com bons argumentos, o setor deve começar a participar de debates sobre a transformação energética, o estímulo ao emprego formal e ao empreendedorismo ou a gestão ambiental adequada em cenários de outros setores, onde possa mostrar como tem sido um exemplo concreto de evolução e de trabalho em parceria com as comunidades e os governos, o que pode beneficiar e ensinar muitos outros setores com questões semelhantes, mas possivelmente menos estigmatizados.

O campo está pronto para a ação. O setor já entendeu, fez reparações e implementou mudanças em sua gestão. E também conhece as características e o alcance de seus adversários. Chegou a hora de mudar as regras do jogo e tornar o segundo tempo a oportunidade certa para reivindicar sua história e a construção de uma nova e assertiva narrativa para começar a vencer, equilibrando a balança em direção a um cenário em que a sociedade entenda o valor do setor de mineração, para que ele possa contribuir da forma que sabe e como o mundo precisa”.

 

Ênio Fonseca – Engenheiro Florestal, Senior Advisor em questões socioambientais , Especialização em Proteção Florestal pelo NARTC e CONAF-Chile, em Engenharia Ambiental pelo IETEC-MG, , em Liderança em Gestão pela FDC, em Educação Ambiental pela UNB, MBA em Gestão de Florestas pelo IBAPE, em Gestão Empresarial pela FGV, Conselheiro do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, FMASE, foi Superintendente do IBAMA em MG, Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig, Chefe do Departamento de Fiscalização e Controle Florestal do IEF, Conselheiro no Conselho de Política Ambiental do Estado de MG, Ex Presidente FMASE, founder da PACK OF WOLVES Assessoria Ambiental, parceiro da Econservation, Gestor Sustentabilidade Associação Mineradores de Ferro do Brasil.Enio Fonseca – Engenheiro Florestal, Senior Advisor em questões socioambientais , Especialização em Proteção Florestal pelo NARTC e CONAF-Chile, em Engenharia Ambiental pelo IETEC-MG, , em Liderança em Gestão pela FDC, em Educação Ambiental pela UNB, MBA em Gestão de Florestas pelo IBAPE, em Gestão Empresarial pela FGV, Conselheiro do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, FMASE, foi Superintendente do IBAMA em MG, Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig, Chefe do Departamento de Fiscalização e Controle Florestal do IEF, Conselheiro no Conselho de Política Ambiental do Estado de MG, Ex Presidente FMASE, founder da PACK OF WOLVES Assessoria Ambiental, parceiro da Econservation, Gestor Sustentabilidade Associação Mineradores de Ferro do Brasil e articulista do Canal direitoambiental.com.

LinkedIn Enio Fonseca 

 

 

 

Gostou do conteúdo? Então siga-nos no FacebookInstagram e acompanhe o nosso blog! Para receber notícias ambientais em seu celular, clique aqui.

Leia também:

Lei nº 14.691/23 é importante novidade legislativa! Mas ainda precisamos avançar

RECURSOS MINERAIS E A OPÇÃO PELO SUBDESENVOLVIMENTO – Uma reflexão de uma aula magna

Legislação brasileira atinente à cadeia produtiva do Biogás

Além disso, verifique

Energias renováveis são necessariamente de baixo impacto?

Por Decio Michellis Jr. Energia Renovável Energia renovável (ou energia verde) é a energia proveniente …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *