segunda-feira , 3 outubro 2022
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Importância da Mineração no Brasil. Responsabilidade e melhores práticas

Engº Enio Fonseca

 

Considerações iniciais

A atividade da mineração é considerada em nossa legislação como de utilidade pública, sendo por isso, essencial e estratégica para o País. Assim como a energia, está na base dos planejamentos voltados à promoção do desenvolvimento socioeconômico, de quase toda a cadeia produtiva, impactando diretamente a melhoria das condições e da qualidade de vida dos brasileiros, sendo responsável também pela produção de conhecimento dos ambientes onde se faz presente, gerando impostos e renda,  e sendo praticada sob princípios do ESG, e da sustentabilidade traz  também ganhos ambientais para toda a sociedade.

 

De acordo com o IBRAM, 2022,, a produção mineral brasileira em 2021, em toneladas, cresceu cerca de 7% em relação a 2020, passando de 1,073 bilhão de toneladas para 1,150 bilhão de toneladas estimadas.

 

Em 2021, a variação de preços das commodities no mercado internacional impulsionou o faturamento do setor em 62%, na comparação com 2020,crescendo de R$ 209 bilhões para R$ 339 bilhões.

 

O Setor é responsável por 2,4% do PIB, gerando cerca de 200 mil empregos diretos e mais de 2 milhões indiretos. Nada menos que  80% do saldo comercial brasileiro em 2021 veio da atividade de mineração, responsável por US$ 58 bilhões em exportação, tendo movimentado no último ano 372 milhões de toneladas nos portos brasileiros.

 

Em 2021 o setor recolheu R$ 117 bilhões em tributos e  encargos, sendo R$ 10,3 bilhões para a CFEM, e vai investir US$ 40,4 bilhões até  2026.

 

Todos estes resultados utilizando apenas 0,6% do território brasileiro.

 

Trata-se de um setor indutor de negócios em extensas cadeias produtivas na indústria, atacado, varejo,serviços e  no agronegócio, impulsionando a economia e o IDH– Índice de Desenvolvimento Humano de muitos municípios e respectivas regiões.

 

No entanto, o setor vem sendo objeto de questionamentos por parte da sociedade, em especial após os rompimentos das barragens da Samarco em Mariana e da Vale, em Brumadinho, com graves danos ambientais e perda de vidas, o que tem levado a uma profunda revisão de seus princípios, procedimentos e práticas, no sentido de tornar a atividade mais segura, e social e ambientalmente mais responsável.

 

Este artigo pretende a partir do documento “Políticas Públicas para a Indústria Mineral”, lançado pelo Instituto Brasileiro de Mineração- IBRAM, em 29/08/2020, e da Carta Compromisso do Setor Mineral, lançado em 2019,  fazer algumas considerações sobre as melhorias na gestão deste importante setor, sob a ótica de sua entidade mais representativa, nos atendo aos temas de sustentabilidade socioambiental, observado a grande complexidade que permeia a mineração em aspectos de legislação tributária, financeira, mineral, técnicas de implantação, operação e descomissionamentos de ativos, saúde e segurança, tecnologia, inovação, inclusão social   e tantos outros.

 

Iniciativas e pontos de melhoria

Em setembro de 2019, durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM), o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) publicou a Carta-Compromisso do Setor Perante a

Sociedade, encontrada na íntegra no site https://ibram.org.br/noticia/carta-compromisso-do-ibram-perante-sociedade/

 

Trata-se de declaração pública de mudança e evolução contínua da indústria da mineração. Representa o comprometimento formal do setor com uma profunda transformação dos processos e técnicas operacionais e, sobretudo, das relações com as pessoas e com a natureza, no sentido de se estabelecer uma melhor comunicação com a sociedade.

 

Por meio da Carta-Compromisso, o IBRAM afirma que a indústria mineral estará empenhada em garantir o desenvolvimento da “mineração do futuro” pautada na responsabilidade social e ambiental, de forma a retomar a credibilidade do setor mineral e a confiança das pessoas.

 

A Carta-Compromisso traz um conjunto de ações contempladas em doze compromissos setoriais, que serão anualmente mensurados, verificados e reportados à sociedade, apresentados a seguir:

 

SEGURANÇA OPERACIONAL

Para o Instituto Brasileiro de Mineração, a identificação e o controle de perigos e o gerenciamento de riscos são condições essenciais para assegurar que as operações de qualquer atividade econômica se apresentem em níveis de segurança aceitáveis ou superiores aos padrões exigidos.

 

Ações

 

  1. Contribuir para um novo arcabouço de normas e leis visando regular a mineração do futuro;
  2. Fomentar a criação de um centro de excelência de segurança operacional e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do setor mineral para compartilhar e desenvolver boas práticas;
  3. Criar relatório anual sobre segurança operacional, por meio de fóruns específicos entre empresas do setor mineral, instituições de ensino e órgãos não-governamentais.

 

BARRAGENS E ESTRUTURAS DE DISPOSIÇÃO DE REJEITOS

O IBRAM envidará seus melhores esforços para que a gestão das barragens e das estruturas de disposição de rejeitos observe melhores padrões mundiais, tornando públicas as informações sobre sua segurança, os impactos gerados em caso de sinistro e as ações a serem tomadas em situações de emergência.

Ações

 

  1. Dar transparência e ampla visibilidade na gestão e na utilização de barragens;
  2. Desenvolver pesquisas em otimização de processos com a Academia e fornecedores, visando reduzir a geração de rejeitos e adotar novas práticas para a disposição;
  3. Estimular que as empresas privilegiem uma conduta cautelosa na gestão de risco das barragens, evidenciando ações de mitigação com transparência e visibilidade.

 

SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAL

O Instituto Brasileiro de Mineração expressa o seu compromisso com a saúde e a segurança de seus trabalhadores, sejam eles diretos ou indiretos, aplicando e ampliando medidas inovadoras e indutoras de boas práticas, que assegurem o cuidado com a saúde e as condições adequadas de trabalho ao desempenho das funções, preservando fundamentalmente a vida e a sua integridade.

 

Ações

 

  1. Buscar a implementação de instrumentos que se proponham a zerar as fatalidades e doenças ocupacionais incapacitantes;
  2. Garantir uma gestão de riscos integrada aos demais processos, de forma eficiente, que se torne referência no Brasil. 3. Promover o investimento em inovações tecnológicas, pesquisas, desenvolvimento e capacitação voltados à promoção da saúde e à adequação do ambiente de trabalho, visando a minimizar a exposição das pessoas aos riscos.

 

MITIGAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS

Como em qualquer outra atividade produtiva, no âmbito da indústria da mineração os impactos ambientais estão presentes e são precedidos de estudos que visam a prevenção, mitigação, recuperação e/ou compensação destes por meio de controles ambientais. Consciente de sua responsabilidade, o setor mineral brasileiro compromete-se em aprimorar os estudos de impacto ambiental e os controles ambientais existentes, contribuindo, assim, para a preservação dos ecossistemas e da biodiversidade.

 

Ações

 

  1. Incorporar e internalizar nos planos de negócio todas as medidas de controle ambiental buscando a melhoria das técnicas no processo de mineração. Otimizar e desenvolver tecnologias que garantam a melhoria nos processos e controle ambiental;
  2. Planejar, implantar e operacionalizar as medidas de fechamento de mina e minimização dos passivos ambientais concomitantes à operação com participação da sociedade;
  3. Incentivar a integração das empresas, que operam na mesma região, à implantação das melhores práticas de controle ambiental, considerando os impactos sinérgicos e cumulativos.

 

DESENVOLVIMENTO LOCAL E FUTURO DOS TERRITÓRIOS

O Instituto Brasileiro de Mineração incentivará o setor mineral a postura de preservação como um vetor de desenvolvimento coexistindo harmonicamente com outros segmentos econômicos e respeitando as características locais. Nesse sentido, entende-se que as atividades minerárias deverão ser inclusivas e capazes de compartilhar valor para todas as partes interessadas e contribuir de forma efetiva para o futuro dos territórios nos quais têm atuação ou mesmo influência.

 

Ações

 

  1. Fomentar governança multisetorial nos territórios mineradores para definir uma agenda positiva e transformadora, compartilhando valor para todas as partes interessadas;
  2. Incentivar as mineradoras a ampliar investimentos em ações de forma voluntária para o desenvolvimento local, além das ações da gestão de impacto;
  3. Estimular a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), de modo a estabelecer agendas para o desenvolvimento local, considerando as particularidades e as potencialidades dos territórios;
  4. Incentivar as empresas mineradoras a criarem e a implementarem programas de formação de lideranças da mineração e de lideranças multiplicadoras nos territórios mineradores com foco na agenda de desenvolvimento de longo prazo.

 

RELACIONAMENTO COM COMUNIDADES

O Instituto Brasileiro de Mineração defende que o relacionamento com as comunidades nas áreas de atuação do setor deve ser pautado por uma abordagem proativa e respeitosa, por meio de diálogos francos, inclusivos e participativos, considerando as realidades e expectativas locais frente à atividade minerária, zelando para que essas interações promovam ambientes e oportunidades de livre e igualitária expressão.

 

Ações

 

  1. Desenvolver programas que vão ao encontro das expectativas da sociedade em relação à saúde, segurança, meio ambiente, relações com a comunidade, diversidade, inclusão, impactos, entre outros, por meio de um processo de diálogo participativo de construção e avaliação contínua;
  2. Promover e ampliar o acesso da sociedade a canais de diálogo com a comunidade e o setor, considerando os interesses da população nas tomadas de decisão;
  3. Preparar os profissionais da mineração e as comunidades para os desafios do futuro, reconhecendo todas as interfaces e pontos de vista;
  4. Construir, com a sociedade, mecanismos de transparência e acompanhamento em torno da aplicação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

 

COMUNICAÇÃO & REPUTAÇÃO

O IBRAM defende que o relacionamento e a comunicação devem ocorrer em linguagem acessível e compreensível, com rapidez, transparência e autenticidade. O setor reforçará ações que sejam reconhecidas pelas diversas partes interessadas e que tornem perceptíveis as suas práticas de gestão e de operação.

 

Ações

 

  1. Apresentar o setor à sociedade, incluindo seus riscos e ações de mitigação com proximidade, agilidade, transparência, clareza, coerência, simplicidade, proatividade e autenticidade;
  2. Fortalecer a presença institucional do setor nas esferas municipal, estadual e federal; 3. Incentivar a adoção de programas e práticas de compliance nas mineradoras.

 

DIVERSIDADE & INCLUSÃO

O Instituto Brasileiro de Mineração reconhece que o respeito à diversidade é condição primária para que se estabeleça a inclusão social com garantias ao exercício da cidadania. Ao reconhecer o direito igualitário de todo ser humano, o setor da mineração declara a valorização das singularidades e individualidades e o respeito à heterogeneidade nas suas diferentes formas: classes, gênero, etnia, orientação sexual, deficiências, dentre outras.

 

Ações

 

  1. Encorajar as mineradoras a viabilizarem ambientes que valorizem a diversidade e promovam a inclusão, de modo que os profissionais possam desenvolver seu pleno potencial e as empresas possam atrair, reter e desenvolver pessoas;
  2. Incentivar as empresas do setor a tornar o ambiente da mineração mais diverso e inclusivo, com ações afirmativas para valorização de identidades, notadamente no que diz respeito a gênero, etnia, LGBTQI+, PCDs, refugiados e povos tradicionais;
  3. Estimular o setor a preparar o ambiente interno para acolher Diversidade & Inclusão

 

INOVAÇÃO

O desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias visam elevar a eficiência da indústria da mineração e reduzir os impactos socioambientais oriundos das suas operações. São considerados, pelo Instituto Brasileiro de Mineração, requisitos do próprio negócio. Ao incorporar inovações em seus processos, o setor reforça o seu compromisso em expandir os debates e estudos de soluções junto a centros de pesquisas e desenvolvimento e criar oportunidades empreendedoras para novos projetos.

 

Ações

  1. Incentivar o aumento de investimento nos projetos de inovação e tecnologia nas mineradoras focando nos temas prioritários como segurança, água, energia, rejeitos/resíduos e desenvolvimento social;
  2. Expandir a busca de soluções colaborativas via inovação aberta e cooperação entre os vários agentes do ecossistema por meio do Mining Hub, ambiente de inovação aberta do setor mineral.

 

ÁGUA

O IBRAM se compromete a fomentar e ampliar o uso consciente e racional da água nos processos, incentivando ações que visem à preservação dos mananciais, sejam subterrâneos ou superficiais, assim como iniciativas que ampliem a disponibilidade hídrica dos rios e a qualidade da água.

 

Ações

 

  1. Estabelecer metodologia uniforme para definir indicadores de performance do uso e do consumo de água, definindo metas de redução gradativas, publicamente explicitadas;
  2. Tornar públicas e disponíveis as informações de uso, consumo e qualidade das águas e efluentes na indústria da mineração;
  3. Participar efetivamente e apoiar os comitês de bacia hidrográfica, ampliando-se o escopo de atuação para incorporar estudos associados a mudanças climáticas e propor ações estratégicas para o setor e a sociedade em geral.

 

ENERGIA

Para o Instituto Brasileiro de Mineração, o uso de fontes alternativas de energia é questão primordial quando se discute as mudanças climáticas e o consumo crescente de insumos na sociedade moderna, estando essa discussão incorporada nas agendas das nações e dos setores econômicos. A indústria da mineração brasileira dará inequívoca contribuição ao tema, debatendo a questão energética e apresentando e incorporando proposições, ampliando a eficiência de seus processos, elevando o uso de energia renovável e reduzindo o consumo de insumos naturais, numa demonstração clara de senso de responsabilidade social e zelo pela sustentabilidade de suas operações.

 

Ações

 

  1. Fomentar a redução do consumo de insumos naturais energéticos por meio da melhoria da eficiência de equipamentos e dos processos produtivos;
  2. Planejar o aumento do número de fontes de energia renovável na matriz energética das atividades minerais;
  3. Incentivar a promoção de fóruns para troca de experiências e boas práticas/análise de benchmarking intra e intersetorial, bem como elaboração de guias técnicos.

 

GESTÃO DE RESÍDUOS

A gestão e a reutilização dos resíduos produzidos pela indústria mineral estão, para o Instituto Brasileiro de Mineração, entre os principais desafios do setor, em virtude da representatividade do material gerado em suas operações. Objetivando contribuir com a sua redução e reaproveitamento, a indústria minerária brasileira assume o compromisso de envidar esforços visando a melhor destinação de resíduos, a aplicação de novas tecnologias e inovação nos processos para reduzir a geração e fomentar negócios para que sejam transformados em novos produtos.

 

Ações

 

  1. Encorajar o fortalecimento da gestão de resíduos com o foco na redução e envolvimento de partes interessadas;
  2. Promover e desenvolver políticas e estudos de melhores práticas para a gestão de resíduos (rejeitos, estéril e demais) visando a redução de impactos socioambientais; 3. Fomentar novos negócios, com o foco na economia circular, de forma a transformar resíduos em novos produtos.

 

De acordo com o IBRAM, 2022, o documento Políticas Públicas para o Setor Mineral, representa uma iniciativa de melhoria contínua em relação à Carta-Compromisso do Setor Perante a Sociedade, que pontua alguns princípios a serem trabalhados:

 

1) O setor de mineração defende a precificação de carbono como mecanismo econômico para viabilizar a transição para a economia de baixo carbono.

 

Para tanto, é necessário que exista um mercado de carbono robusto, creditício e regulado a fim de promover a efetiva compensação das emissões, ou seja, por meio da compra de créditos de carbono em mercados robustos (cap and trade).

 

2) O Setor apoia a regulamentação do Artigo 6, de forma que a integridade ambiental do mecanismo de precificação seja assegurada e que se fortaleçam os compromissos de redução de emissão, estabelecendo níveis de preços adequados às transformações necessárias.

 

3) O Setor apoia a regulamentação do Artigo 6.4 sobre o Mecanismo de Desenvolvimento

Sustentável – MDS e o Mercado de Carbono Global, a qual irá contribuir com o aumento da competitividade e com a consolidação da economia de baixo carbono na Mineração.

 

4) O Setor incentiva a adoção dos marcos regulatórios, voltados para impulsionar uma agenda Carbono Neutra do setor, quanto ao Pagamento por Serviços Ambientais e fomento a um Mercado Voluntário de Carbono, proveniente desses serviços e integrado ao mercado regulado de Carbono. (*Floresta+,Floresta+ Carbono, Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais).

 

5) O Setor apoia a mobilização e incremento do financiamento climático, oriundo dos países desenvolvidos, na efetiva aplicação em P&D e implementação de novas tecnologias de baixa emissão de carbono, nos processos e atividades em todas as fases do empreendimento mineral.

 

6) O Setor apoia e incentiva a Capacitação e Transferência de Tecnologia na transição global para uma economia de baixa emissão de carbono, a partir de incentivos reais de desenvolvimento tecnológico no uso de minerais estratégicos e equipamentos de eficiência energética e energias renováveis,no intuito de contribuir para a transição energética justa e de mobilidade.

 

7) O Setor apoia o Plano Nacional de Adaptação Brasileiro e os financiamentos globais para a Adaptação Climática como forma de reduzir os riscos e impactos adversos ao setor mineral, bem como incentivar as práticas eficazes e necessidades de adaptação do setor.

 

A mineração pode situar o Brasil entre os protagonistas globais da inovação tecnológica e da transição para uma “economia verde”. Os minérios são essenciais para cumprir esta agenda: descarbonização e mitigação das mudanças climáticas; maior preservação ambiental; geração de energia a partir de fontes renováveis; desenvolvimento de motores elétricos; de sistemas de inteligência artificial.

 

Das 169 metas relacionadas aos ODS- Objetivos do Desenvolvimento Sustentável- 2030 da ONU, nada menos que  76 (45%) se relacionam à mineração.

 

Do ponto de vista de relacionamento com as comunidades afetadas pelos empreendimentos de mineração, o documento Políticas Públicas para o Setor mineral, apresenta como iniciativa importante a criação e implantação do sistema PROX, desenvolvido pelo IBRAM, junto com a CEMIG e com participação do CEDEC-MG, que é um aplicativo para celulares, sendo uma plataforma comum às empresas de mineração para compartilhamento de informações junto às entidades de resposta a situações de emergência, junto à população a jusante de barragens de mineração.

 

O projeto é composto de duas etapas:

 

1 – Preparação da plataforma para atendimento às obrigações legais dos empreendimentos minerários (ANM e CEDEC-MG);

 

2 – Interface com população das ZAS (Zona de autossalvamento) e órgãos de resposta à situação de emergência, conforme PAEBM (Plano de ação emergência para barragem de mineração).

 

O aplicativo já está disponível para IOs e Android, com os dados das barragens da CEMIG, e está na fase de inclusão dos dados para as barragens de mineração.

 

O aplicativo foi reconhecido pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil – SEDEC, do Ministério de Desenvolvimento Regional, como boa prática no eixo temático Mapeamento de áreas de Risco.

 

No tocante ao licenciamento ambiental o IBRAM pontua como pontos críticos a serem otimizados:

 

  1. I) burocracia: o processo é essencialmente cartorial e burocrático, focado na entrega de volumes imensos de informações. Nesta etapa o projeto é ainda uma tese, sem materialização no campo, e os estudos apresentados baseiam-se em suposições dos impactos;

 

  1. II) monitoramento: não existe foco no monitoramento após a emissão da licença, que é a fase na qual os impactos realmente acontecem;

 

III) compêndio histórico: não existe acúmulo do conhecimento gerado pelo licenciamento – para cada novo projeto, todas as informações já solicitadas em projetos anteriores são requeridas novamente, independente de o projeto estar localizado na mesma região;

 

  1. IV) condicionantes mitigatórias: o conjunto de condicionantes apensado ao licenciamento tem pouca ligação com a mitigação dos impactos efetivos do projeto mineral, sendo muitas vezes relacionadas às fragilidades socioeconômicas das políticas públicas locais;

 

  1. V) multiplicidade de atores: há uma miríade de órgãos públicos intervenientes que fazem parte do Licenciamento.

 

O IBRAM destaca, como oportunidades para o Aperfeiçoamento do Licenciamento Ambiental o fato de que a mineração tem investido de forma robusta na preservação ambiental, em novas tecnologias de apoio à mitigação de impactos negativos, em estratégias de monitoramento, em estudos ambientais,entre outros. Ao mesmo tempo, aprimora constantemente os seus processos produtivos, visando principalmente a redução da geração de resíduos, do consumo de energia e de água nova e a maiores índices de reaproveitamento deste insumo. Estas tendências marcam a nova mineração, mais aprimorada do ponto de vista ambiental, iniciativas que devem ser observadas e incluídas nos ritos dos licenciamentos, que devem ser otimizados e agilizados, sem perder o conteúdo técnico exigido pela legislação.

 

Para que a indústria mineral continue cumprindo sua missão ininterruptamente e apresente resultados cada vez mais positivos, afirma o IBRAM , é imprescindível a criação de ambientes regulatórios e institucionais favoráveis às transformações produtivas, além de um licenciamento ambiental ágil.

 

A ausência de uma política pública ambiental clara e objetiva, e a inexistência de um marco regulatório específico, por exemplo, refletem na subjetividade e na imprecisão das normas administrativas.

 

Além disso, a baixa capacidade institucional, a fragilidade técnica, a existência de instâncias decisórias paralelas, entre outras deficiências da estrutura reguladora, impedem a agilidade na análise dos estudos ambientais.

 

O melhor caminho para a compatibilização das legislações minerária e ambiental é, sem dúvida, a criação de um sistema de licenciamento ambiental específico para a atividade mineral, regulado no plano federal. Esse modelo já existe para os setores de petróleo, gás e energia elétrica, uma vez que todos são regidos pelo mesmo sistema de concessão pública e seria seguramente uma solução viável para os inúmeros conflitos que têm sido verificados pela indústria mineral na acessibilidade dos recursos minerais.

 

Mesmo que, em matéria ambiental, haja entraves em relação à competência concorrente

entre a União e Estados, o tratamento do aspecto ambiental não pode ser concebido de forma isolada e estanque, afirma o IBRAM em seu documento de Políticas Públicas.

 

Deve haver sinergia entre todos os interesses envolvidos na regulação do setor, e vale ressaltar que a acessibilidade aos recursos minerais é uma questão de caráter nacional, comum a todas as localidades por onde ocorrem os depósitos minerários.

 

Ainda de acordo com o IBRAM, 2022, para a mineração cumprir seu papel de promover uma melhor qualidade de vida aos brasileiros, figurando como uma das bases para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico, e também para o Brasil cumprir seu papel na agenda verde, providências se mostram fundamentais, tais como:

 

-Fortalecer o orçamento da agência responsável pela regulação e fiscalização da mineração – a Agência Nacional de Mineração;

 

-Combater o garimpo irregular e a lavra ilegal de minérios, que têm gerado severos impactos negativos à floresta e às comunidades, especialmente na Amazônia; virar o jogo em relação à destruição ambiental que a lavra ilegal produz;

 

-Incentivar a pesquisa geológica em escala mais detalhada;

 

-Assegurar acesso mais amplo a territórios, muitos dos quais apresentam restrições legais à atividade econômica.

 

Conclusão:

A iniciativa do IBRAM, em apresentar a toda a sociedade seu documento intitulado Políticas Públicas para o Setor Mineral, merece aplauso, por demostrar o interesse setorial em discutir a importância do setor, seus pontos de excelência e os pontos de melhoria. O documento está aberto a considerações da sociedade e do poder público.Uma gestão de um setor tão importante como o mineral, amparada nas melhores práticas da sustentabilidade e dos princípios ESG, feitas com as melhores técnicas operacionais, primando pela segurança , respeito ao meio ambiente e inclusão social,beneficiando toda a população deve ser do interesse e objetivo de todos nós.

 

 

Fonte citada:

IBRAM,Instituto Brasileiro de Mineração  2019- Carta Compromisso site  https://ibram.org.br/noticia/carta-compromisso-do-ibram-perante-sociedade/

IBRAM, 2022.Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM)

Políticas Públicas para a Indústria Mineral. Instituto

Brasileiro de Mineração; Livro ISBN: 978-65-990386-8-6

Disponível em: www.ibram.org.br

Enio Fonseca- Engenheiro, Senior Advisor em questões socioambientais ,Founder PACK of WOLVES Assessoria Ambiental,  Especialização  em Engenharia ambiental pelo IETEC-MG, em Proteção Florestal pelo NARTC e CONAF-Chile, em Liderança em Gestão pela FDC, em Educação Ambiental pela UNB, MBA em Gestão de Florestas pelo IBAPE,  em Gestão Empresarial pela FGV,  Foi Presidente e Vice Presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico,FMASE,  foi Superintendente do IBAMA em MG, Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig, Conselheiro no Conselho de Política Ambiental do Estado de MG e da Câmara de Mineração do Copam.

 

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