domingo , 21 janeiro 2018
Home / Cases de Sustentabilidade / Meio ambiente: startup recebe investimento de R$ 3 milhões para descontaminação ambiental

Meio ambiente: startup recebe investimento de R$ 3 milhões para descontaminação ambiental

Não é de hoje que a humanidade percebeu (pelo menos na teoria) que precisa cuidar melhor do meio ambiente – afinal, é nele que vivemos. Porém, sair do discurso e buscar soluções práticas para fazê-lo não é assim tão simples.

A boa notícia é que tem gente disposta a investir em soluções para problemas ambientais com o auxílio da tecnologia. É o caso da startup brasileira OXI Ambiental, especializada em fazer a descontaminação de áreas afetadas por poluentes como metais pesados e organoclorados.

No mercado desde 2011, a empresa recebeu recentemente seu primeiro aporte – 3 milhões de reais vindos do FIP INSEED FIMA, um fundo de investimentos criado pelo BNDES (Banco Nacional Desenvolvimento Econômico e Social) para apoiar negócios focados em soluções para problemas ambientais.

“Vamos usar esse dinheiro para estruturar melhor o negócio e buscar clientes maiores, com os quais não tínhamos condições de trabalhar antes”, afirma um dos fundadores do negócio, o químico Juliano Andrade.

Mais rápido e mais barato

O empreendedor atua há pelo menos 15 anos na área de descontaminação e sempre estudou o assunto – atualmente ele termina um doutorado na USP sobre o tema.

Desse tempo de dedicação surgiu um método diferente de lidar com locais contaminados. “A maioria das empresas que trabalha com isso retira o solo contaminado e leva para um aterro. Isso na verdade apenas transfere o problema de lugar. No nosso sistema, nós fazemos a descontaminação no próprio local, o que é mais barato, mais rápido e melhor para o ambiente”, explica Andrade.

Segundo o empreendedor, a técnica começa com a elaboração de um diagnóstico do problema, fase em que a OXI Ambiental detecta quais são os poluentes presentes. Com isso, a empresa desenvolve uma espécie de antídoto químico para aquela contaminação.

“É como um remédio manipulado. Fazemos uma solução sob medida que vai reagir com os poluentes presentes ali. A reação química destrói os contaminantes e eles formam outra molécula, atóxica. Normalmente o resultado é gás carbônico e água”, afirma o empreendedor.

O “remédio” é aplicado no próprio local. Isso significa que não há necessidade de deslocamento de solo ou água, o que barateia todo o processo – afinal, imagine o custo de transferir toneladas de terra para um aterro sanitário.

O empreendedor garante que o trabalho fica também mais rápido e não exige que o local seja totalmente interditado. Em casos de fábricas, por exemplo, é possível continuar as atividades normalmente (a não ser que haja recomendações de isolamento devido à contaminação).

Segundo Andrade, o tempo médio para descontaminação de um local pelo método da OXI vai de 6 meses a 2 anos. No outro método, todo o processo pode levar até 5 anos. Já o custo do processo chega a ficar 20% menor, garante o químico.

A empresa atua junto a indústrias químicas, farmacênticas, petroquímicas, além de construtoras que precisam tratar a contaminação de um local para poder construir. Pelo menos dez áreas atendidas pela OXI já estão totalmente limpas de contaminação.

Conhecimento ‘incomensurável’

A startup foi fundada com um investimento inicial de 100 mil reais, “pouco para um negócio desse tipo”, afirma Andrade, que iniciou o negócio junto com o sócio Ricardo Gonçalves.

Porém, além do valor em dinheiro, “há também o investimento em conhecimento, que é incomensurável. Foram anos e anos de dedicação”, lembra Andrade, que estuda o tema desde 1998.

“Não existe uma faculdade de descontaminação ambiental. É um conhecimento muito específico. Temos inclusive dificuldade em conseguir mão de obra qualificada”, completa o empreendedor.

Com cerca de 10 funcionários, a OXI Ambiental se prepara para crescer apoiada pelo aporte recebido. “Ainda temos uma escala pequena, mas queremos chegar a um faturamento de 15 milhões de reais nos próximos cinco anos.”

O meio ambiente agradece.

Fonte: Exame.com, 28/09/2016

direito-ambiental-logo

 

Leia também:

Óleo de cozinha é transformado em biodiesel, Portal DireitoAmbiental.com

MP obtém liminar que suspende construção de centro comercial em VotorantimPortal DireitoAmbiental.com

Reparação integral de área contaminada não pode gerar arbitrariedadesPortal DireitoAmbiental.com

Além disso, verifique

thumb_Reparação-

Pesquisadores da USP isolam bactéria presente em águas turvas e poluídas capaz de produzir plástico a partir do metano

Das águas turvas e poluídas do Sistema Estuarino de Santos pode emergir uma solução para ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *