sábado , 24 fevereiro 2018
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UE propõe banimento de pesticidas que ameaçam abelhas

 

 

 

 

 

 

A União Europeia propôs nesta semana a suspensão de pesticidas da classe neonicotinoide, conhecidos amplamente por causarem diversos prejuízos às abelhas, importantes polinizadoras tanto para a natureza quanto para o homem.

A UE afirma que o banimento duraria dois anos, e, se aprovado, deve entrar em vigor a partir de 1º de julho. A iniciativa surge apenas duas semanas depois de a Autoridade Europeia para Segurança Alimentar (AESA) apresentar uma análise que declara que os neonicotinoides apresentam uma série de riscos às abelhas e indiretamente aos humanos, já que seus serviços ambientais valem ao homem de US$ 8 bilhões a 12 bilhões apenas nos EUA.

Mas esse não é o primeiro nem o único relatório a apontar os malefícios que esses inseticidas causam às abelhas. Em 2012, diversos estudos foram lançados neste sentido.

Entre eles, duas pesquisas que avaliaram a relação entre os pesticidas tiametoxame e imidacloprida e populações de abelhas, e descobriram que eles têm uma ação prejudicial no mecanismo de navegação dos animais e na coleta de alimentos por parte das abelhas-operárias.

Foi publicada também uma análise que descobriu que o imidacloprida e o gama-cialotrina podem causar Distúrbio do Colapso de Colônias (CCD), um processo que resulta no extermínio da população das colmeias.

A medida proposta pela UE suspenderia o uso do clotianidina, do tiametoxame e do imidacloprida em plantações e sementes que atraem as abelhas, como girassóis, colza, milho e algodão.

Alguns países, de fato, já adotaram total ou parcialmente a proposta, como a Eslovênia, que baniu todos os neonicotinoides, a França, que suspendeu o uso deles na colza e a Itália e a Alemanha, que encerraram o uso dos pesticidas no milho.

No entanto, outros países e empresas discordam da decisão, e não pretendem acatá-la. O Reino Unido afirmou que o documento da AESA é apenas uma análise de risco e que os estados membros da UE podem decidir se vão aceitá-la ou não.

“A AESA confirmou que apesar de ter evidências claras realmente científicas contra três desses químicos na colza, milho e assim por diante, está aberto aos governos simplesmente ignorarem a ciência”, comentou Peter Melchett, diretor de políticas da Associação do Solo.

“O perigo real é que o governo do Reino Unido vá simplesmente ignorar essas evidências cientificas esmagadoras dos danos que esses químicos estão fazendo às abelhas”, acrescentou Melchett.

Já as empresas Bayer CropScience e Syngenta contestaram os resultados da AESA, declarando que vão conduzir suas próprias pesquisas sobre o assunto e que a suspensão dos inseticidas prejudicaria as companhias e a economia europeia.

Um encontro para debater a questão está marcado para está quinta-feira (7), e a votação final deve ocorrer em 25 de fevereiro, com um comitê de especialistas representando todas as nações da UE.

No Brasil, o IBAMA publicou em outubro um estudo sobre os efeitos dos agrotóxicos sobre as abelhas silvestres. A publicação é um levantamento que destaca a importância do serviço ambiental de polinização, os principais agentes polinizadores nas diversas regiões do país e os efeitos dos agrotóxicos nas abelhas silvestres, abordando os efeitos letais e subletais.

O trabalho, que identifica efeitos semelhantes às outras pesquisas nas abelhas, propõe uma metodologia para o acompanhamento dos efeitos tóxicos dos pesticidas sobre elas, por meio de um estudo de caso em que são sugeridas espécies e culturas a serem pesquisadas.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil

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