quarta-feira , 18 setembro 2019
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São Paulo corta 14 árvores por dia com autorização da prefeitura

A arquiteta e urbanista Luciana Schwandner Ferreira coletou alguns dados sobre a área verde de São Paulo para sua dissertação de mestrado. O que mais chamou atenção foi a estimativa de que 72.514 árvores foram cortadas, nos últimos 14 anos, com autorização oficial.

Isso significa que, ao longo desses anos, 14 árvores foram perdidas diariamente na capital paulista com aval da prefeitura. A vegetação foi retirada de lotes e áreas verdes dando lugar a prédios, shoppings, ruas, estações de metrô e outras construções.

O número de árvores cortadas quase corresponde a cinco Parques do Ibirapuera, onde estima-se que há 15 mil árvores. Os dados foram apresentados por Luciana na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

O interesse da mestranda se deu na época em que trabalhava na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Ela era responsável pelo setor das compensações ambientais exigidas para cada corte de árvore. O levantamento de seu trabalho baseou-se nos despachos publicados no Diário Oficial da Cidade entre 1997 e 2011.

Na teoria, a Prefeitura exige o replantio de um número maior de árvores do que as que foram retiradas para conceder a autorização, mas na prática a pesquisa mostrou que o mecanismo não funciona de forma eficiente. Além disso, há os desmatamentos ilegais. “Existem outros cortes que não exigem compensação ambiental e, claro, os cortes irregulares, que não estão computados”, disse a pesquisadora ao jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com o estudo, as árvores mais comuns são remanescentes da Mata Atlântica, como jequitibá, pau-brasil e tipuana e o bairro mais afetado foi a Vila Andrade, na zona sul, com 13.454 árvores cortadas no período. Em seguida o da Cangaíba, na zona leste, com 8.727 mil árvores.

Os cortes com autorização ocorrem, principalmente, em áreas nobres ou obras do poder público, enquanto que na periferia a maior parte das retiradas não possuem aval da prefeitura de São Paulo.

O estudo encontra-se disponível no site do Mercado Ético.

Fonte: O Estado de S. Paulo e Mercado Ético

 

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