terça-feira , 26 setembro 2017
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Poluição sonora nas cidades grandes

Bendito seja o Silêncio. E o canto dos pássaros

Ninguém tem dúvida sobre o impacto que nos causa viver em grandes e barulhentas cidades.

Para o bem ou para o mal, em São Paulo tudo é grandioso. Podemos elevar a esferas imensas a poluição do ar, dos nossos rios e também, a poluição sonora.

Sou privilegiada por morar em Higienópolis, um bairro tradicional, bucólico e arborizado. Nem por isso menos barulhento.

Tantos são os ruídos ao longo de um só dia (às vezes também à noite) que é difícil identificá-los. Carros barulhentos, velhos prédios sempre em reforma, gente conversando (por celular ou não), latidos de cachorros. E tem o badalar dos sinos da Igreja. Adoro ouvir os sinos mas seu som precisa ser tão longo e alto? Serão surdos os seus fiéis?

E aquela maquininha infernal. Como as pessoas gostam de lavar calçadas! Nada contra a limpeza das ruas mas já se pensou em sujar menos ?  Tipo: lixo no lixo. Simples assim.

Não é só o barulho mas também o desperdício de água com o uso exagerado dessas máquinas  utilizadas pelos funcionários dos prédios. Delas não se escapa. Faça chuva ou faça sol. De preferência sexta ou sábado bem cedinho. Ainda que muitos se preocupem em retirar as fezes de seus dóceis animais, alguns ainda não o fazem porque pensam…  as calçadas serão lavadas mesmo.

A vida em condomínio é um microcosmo da cidade. Difícil saber onde começa e termina o Direito de um e do outro. É nesse espaço que a nossa tolerância ao barulho e aos bons modos é testada. São muitos os ruídos nesse microcosmo. Evitáveis ou não.

Crianças tem o direito de brincar. Infelizmente, muitas vezes sua única opção é dentro dos muros de um edifício, por uma questão de espaço e segurança. As brincadeiras educam e a criança deve aprender desde cedo a respeitar o espaço comum e a não trazer desconforto ou expor os outros a gritos desnecessários. Faz parte do aprendizado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 360 ​​milhões de adultos e 32 milhões de crianças sofrem por perda de audição em todo o mundo. A otorrinolaringologista Jeanne Oiticica, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), afirma que a exposição a ruídos tem se iniciado cada vez mais cedo, com impactos diretos na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Explica que, na infância, o ruído médio varia de 70 a 100 decibéis, entre brincadeiras e atividades escolares, mas com o passar do tempo, os hábitos de lazer e trabalho agregam mais atividades com exposição aos barulhos. Quando adulto, o indivíduo pode passar até de 8h a 12h por dia exposto a elevados níveis de pressão sonora em seu ambiente de trabalho ou no trânsito”- (25/04/2013 13:19:33 – Quanto vale o silêncio – EcoD www.mercadoético.com.br)

O barulho em São Paulo é constante e pode alterar o comportamento das pessoas e aumentar a violência urbana. Essa é a opinião da fonoaudióloga Alice Penna de Azevedo Bernardi, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. “Em uma cidade como São Paulo você tem aumento da violência e da agressividade por conta dessa exposição continuada”. “Não é à toa que a gente percebe até um problema de comportamento, as pessoas estão mais estressadas”, diz. E completa: “ É preciso ter alguns minutos diários de silêncio para que a gente possa descansar, relaxar o organismo e esvaziar a mente”. Gabriela Fujita –Do UOL, em São Paulo

De acordo com informações da prefeitura de São Paulo, “os limites de ruído são definidos pela Lei de Zoneamento, e variam nestas categorias: área residencial (50 decibéis entre 7h e 22h), área mista (de 55 a 65 dB entre 7h e 22h) e área industrial (de 65 a 70 dB entre 7h e 22h)”. Gabriela Fujita –Do UOL, em São Paulo

 A poluição sonora é tipo penal previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) e São Paulo também tem o programa Psiu, da Prefeitura que a fiscaliza em estabelecimentos comerciais e obras*

Na rua onde moro tem árvores e passarinhos;eles fazem um esforço enorme para serem ouvidos em meio a tanto barulho Seus gorjeios  são  uma bênção e sinal de que há vida além dos ruídos cotidianos.

Bendito sejam o canto dos Pássaros e o Silêncio. Amém!

Silencio

Fontes :

Gabriela Fujita – UOL

http//www.mercadoetico.terra.com.br/website/wp-content/uploads/2013/silencio_283qua-JPG

http://www.agora.uol.com.br/dicas/100servicos/reclamacao/reclamacoes_psiu.shtml

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/zeladoria/psiu/

 

Rachel Feldmann é advogada, formada pela PUC/SP, Pós Graduada em Sociologia Política pela UFPR/PR e Especialista em Direito Socio Ambiental pela PUC/PR. É filiada à Abraps – Associação Brasileira de Profissionais de Sustentabilidade, Consultora da Preserva Ambiental e Colunista do Indikabem

 

 

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