segunda-feira , 16 outubro 2017
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Conceito de “água virtual” deve nortear consumo sustentável

 

 

 

Em Estocolmo inicia-se a Semana Mundial da Água. Especialistas sugerem modelo global de sustentabilidade para agricultura, considerando o enorme volume de água “invisível”, exportado junto com alimentos. “Água é vida. É o coração da economia verde. Por isso, temos que falar sobre eficiência no uso da água”, enfatiza Kenza Robinson. Ela é a secretária das Nações Unidas para Água e trabalha no Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (Undesa).

A água é usada em todos os lugares. No setor energético, a força da água é encarada como um meio para se produzir energia sem prejuízo à natureza, e sem acelerar a mudança climática global. A indústria precisa de grande quantidade de água para diversos produtos. Até mesmo na produção de um dos microchips usados no computador, são necessários 32 l de água, para um automóvel, a média é de 400 mil l.

A grande reciclagem – Porém, o setor que mais necessita de água é a agricultura, consumindo 70% dos recursos hídricos do mundo. A água não é usada somente na produção de alimentos, mas também nas culturas destinadas a atender à crescente demanda por biocombustíveis e rações de animais. Os recursos globais de água são parte de um gigantesco processo de reciclagem; nunca se produz mais água, a quantidade disponível é sempre a mesma.

Portanto, a questão se resume a quão eficiente é o uso da água, aponta Benedikt Haerlin, da Fundação para o Futuro da Agricultura. “Na verdade, o ponto decisivo é a forma como mantemos a água no solo e nas plantas, em todo o ecossistema, antes de ela ser evaporada e o ciclo se reiniciar”, afirma o jornalista e especialista em Agricultura em entrevista à Deutsche Welle. Haerlin é também integrante da Comissão Internacional para o Futuro da Alimentação.

Dimensão virtual – Haerlin assegura que, com solos saudáveis e agricultura sustentável, também seria possível alimentar de forma saudável a população mundial crescente. Então sustentabilidade significa também incluir nos cálculos a chamada “água virtual”. Ela é a que está incluída em cada produto e também é exportada, invisivelmente, junto com os produtos agrícolas.

Portanto, numa região seca como a Somália, por exemplo, são necessários 18 mil l de água para produzir 1 kg de trigo. Na Eslováquia, essa mesma quantidade é colhida com 465 l. Assim, de acordo com Haerlin, trata-se de adaptar o sistema total de produção alimentar à quantidade de água disponível no local onde se produz.

“Por exemplo, a Alemanha importa água de regiões nas quais esse recurso é muito mais restrito do que aqui para nós, por exemplo, na forma de soja.” Pois, como lembra Haerlin, a produção dessa leguminosa consome um grande volume de líquido. “No fundo, o comércio dessa água virtual deve ser direcionado para onde falta água, não para onde há mais dinheiro.”

Ajuste da agricultura – Segundo Haerlin, a adoção desta ideia significaria o abandono das grandes monoculturas, que causam impacto negativo ao ciclo global da água. Em comparação com cultivos mistos, pouca água é armazenada no solo de monoculturas. Além disso, muitas monoculturas dependem de sistemas artificiais de irrigação. Por isso, seria necessário adaptar o sistema global de produção de alimentos à água disponível em cada região.

Acima de tudo, de acordo com Kenza Robinson, da ONU, é necessário se pensar nos recursos hídricos numa perspectiva de longo prazo, do mesmo modo como hoje são encarados outros recursos por exemplo, os combustíveis fósseis. “A água é um direito humano, está acima de todos os outros recursos. Ela tem uma posição especial e por isso precisamos encará-la de forma global”. A World Water Week, em Estocolmo, vai de 26 a 31 de agosto. (Fonte: Portal Terra)

 

 

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