quarta-feira , 22 novembro 2017
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A influência dos desastres naturais que ocorrem no Brasil sobre a saúde das populações humanas

O termo “desastre” é designado para tratar de resultados adversos provocados por eventos distintos; no que tange aos desastres naturais, estes podem estar relacionados com a geodinâmica terrestre externa (causa eólica; relacionados com temperaturas externas; com o incremento ou com a intensa redução das precipitações hídricas), assim como com a geodinâmica terrestre interna (abalos sísmicos, maremotos, tsunamis, erupções vulcânicas, movimentos gravitacionais de massas e processos de transportes de massas), entre outros.

No Brasil, tem-se registrado um número cada vez maior de desastres e, consequentemente, grandes danos e prejuízos têm repercutido no desenvolvimento nacional, especialmente na região Nordeste, castigada pelas sucessivas estiagens, secas e inundações. As demais regiões do país também sofrem com desastres naturais peculiares de sua localidade, como por exemplo, a região Sul que é assolada por saraivadas que convergem em prejuízos econômicos; bem como a região Sudeste, que por sua vez é afligida por deslizamentos de terra em grandes proporções originados pelo alto índice pluviométrico e a instabilidade de terrenos em encostas.

É sabido que a maioria dos desastres naturais ocasiona situações de emergência e/ou estado de calamidade pública e estão intimamente relacionadas às condições e fatores climáticos; vale ressaltar que somente nos anos de 2000 a 2001, 99,2% dos desastres ocorridos no Brasil se referiram às estiagens e inundações bruscas, sendo estes fenômenos juntamente com a seca os maiores responsáveis por danos provocados às populações humanas no que se refere aos desastres naturais.

As estiagens resultam da redução das precipitações pluviométricas, do atraso dos períodos chuvosos ou da ausência de chuvas previstas para uma determinada temporada e, na qualidade de desastre, relaciona-se com a queda intensa das reservas hídricas de superfície e com as conseqüências dessa queda sobre o fluxo dos rios e sobre a produtividade agropecuária. Tal fenômeno pode trazer efeitos sobre a saúde humana devido às baixas taxas de umidade relativa do ar, provocando problemas respiratórios diversos, dificuldades em respirar, irritação nas vias respiratórias, ressecamento nos olhos e garganta, aquisição de resfriados e viroses, além dos incômodos associados à temperatura elevada durante a época das estiagens.

Outro desastre natural a ser destacado é a seca, que do ponto de vista meteorológico pode ser identificado como uma estiagem prolongada, caracterizada por provocar uma redução das reservas hídricas existentes. Outro impacto gerado por variações pluviométricas refere-se às repercussões que a redução da produção de culturas de subsistência traz sobre a desnutrição das famílias dos pequenos produtores rurais, afetando, portanto a sua saúde. Há ainda casos extremos em que ocorrem mortes devido à desnutrição e/ou inanição; as crianças e recém-nascidos são os grupos de risco mais afetados pelas secas.

Atualmente, entre os desastres naturais brasileiros, os que mais ganham notoriedade são os originados por enchentes e inundações, haja vista que nos últimos anos grandes chuvas torrenciais assolaram diversos municípios que abrangeram basicamente todas as regiões do país. Inundações são desencadeadas pelo incremento dos caudais superficiais que, na maioria das vezes, é provocado pelas precipitações pluviométricas intensas, provocando transbordamento dos leitos dos rios, lagos, canais e áreas represadas. As inundações ocorrem em todas as regiões brasileiras, em diferentes épocas do ano, podendo-se destacar as enchentes ou inundações graduais, enxurradas ou inundações bruscas e alagamentos.

Os alagamentos são freqüentes nas cidades mal planejadas ou quando crescem explosivamente, dificultando a realização de obras de drenagem e de esgotamento de águas pluviais. Os alagamentos das cidades normalmente provocam danos materiais e humanos mais intensos que as enxurradas, devido às grandes áreas que são afetadas e, geralmente, durante longos períodos, já que não existe drenagem adequada na maioria das áreas urbanas, principalmente naquelas cortadas por rios e riachos. Esta situação é decorrente, na maioria dos casos, da falta de consideração dos aspectos hidrológicos quando se formulam os Planos Diretores Municipais. Deste modo são estabelecidos, por exemplo, índices de ocupação do solo incompatíveis com a capacidade da macrodrenagem urbana.

Como já não bastassem todos os transtornos que uma enchente traz, há ainda, após o recuo das águas, o alto risco de contaminação, que expõe a população a inúmeras doenças e ao aumento na incidência de acidentes como afogamentos, lesões corporais e choques elétricos. Há também um aumento na proliferação dos vetores de doenças, como ratos e mosquitos, e de picadas de animais peçonhentos, como aranhas, escorpiões e cobras.

A maioria das doenças ocorre devido à ingestão de água e/ou alimentos contaminados ou pelo simples contato com essa água.

Os principais impactos sobre a população quando da ocorrência de inundações concernem aos prejuízos de perdas materiais e humanas, interrupção da atividade econômica das áreas inundadas, contaminação por doenças de veiculação hídrica, contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, estações de tratamentos, entre outros danos.

Em situações de inundações, a água contaminada por microrganismos pode causar doenças em seres humanos por meio de contato ou ingestão. As principais doenças relacionadas são hepatite pelo vírus A, leptospirose e diarréias infecciosas. Em situações epidemiológicas específicas pode haver transmissão de cólera e febre tifóide. As inundações também propiciam a proliferação de vetores, como o Aedes aegypti, transmissor da dengue e febre amarela. As enchentes também proporcionam um contexto favorável a ferimentos de pele, que pode ser contaminada com o tétano.

Independentemente de qual seja o desastre natural ou sua magnitude, a segregação social assim gerada em determinados países, e em certos estratos da sociedade, faz com que os menos favorecidos cultural, social e economicamente, sejam atingidos com maior intensidade pelos desastres; esta situação é claramente ilustrada em nosso país, onde inúmeras famílias quando desabrigadas pelas catástrofes naturais, ficam à mercê de auxílios oriundos do Poder Público, ou na maioria das vezes, da boa vontade alheia.

Alyne Foschiani Helbel é Engenharia Ambiental pela Univ. Federal de Rondônia – UNIR/ EcoD

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